Palavras vazias, amargas, frias
Olhares perdidos, sem alma
Talvez o vento mude e seque as lágrimas
A janela aberta foi quebrada
Pedaços de dor
Vestígios de mim

Pode ser que vire
Um dia a cortina cai
Sobe a fumaça negra
Máscaras em múltiplas personalidades
Um doce veneno derrete os lábios

Vermelhos fragmentos do fim.

Laura Camarano – Fevereiro 2012.

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Por trás do vidro a luz brilhava
Pedras duras e frias atiram a dor
Quebram as janelas da alma
Invadem o amor
Sequestram, prendem
Sufocam, esquecem

Momentos se perdem
Portas trancadas
Sentimentos sem som.

Laura Camarano -Fevereiro 2012

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Brisa noturna

Silêncio calmo de morte

Olhares perdidos

Sinfonia funesta

Tudo é negro

Tudo é nada

Este é meu silêncio

Meu rosto se torna pálido

Pálido e frio como a noite

A noite apenas se esconde

Assim como meus olhos se fecham

E tudo agora é escuridão

A lua nunca perde o brilho

Rainha da noite!
Imagem linda

Macabra

Me faz morrer

Morte diferente

Doce morte

Danço na beira do abismo

Ouço vozes das suas profundezas

A vontade insana permanece

Mas o perigo é distante

Um anjo que cai

Seria apenas

Um anjo caído.

Laura Camarano – 15-07-2001

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Ilusões Perdidas

Fragmentos de uma vida imaginária

Sonhos ocultos nos olhos adormecidos

Ilusões perdidas na imensa escuridão

Nossas sombras

Nossos fantasmas

Nossas almas se vão – por um instante apenas

 

Meus olhos estão cerrados

E apenas contemplo a escuridão infinita

E sinto a brisa beijar-me o rosto

E sinto uma lágrima solitária

E sinto um vazio que chora

Apenas sinto o que não pode ser visto

 

Tudo se dissipa no ar negro

As velas iluminam as faces pálidas

Sombras dançam ao som do vento

Sorrisos de dor que anestesiam

 

O fogo consome a matéria impura

Anjos celebram o nada

Estátuas lívidas com olhares puros

O vento sopra irado

 

Anjos dos sonhos

Perdidos no tempo

Esquecidos na noite

Imagens se dissipam

Os olhos se abrem.

 

Laura Camarano – 23-10-2001

 


Luzes opacas, sem brilho

Escuridão profunda

Silêncio de morte

Fantasmas do abismo

Tempestade súbita

Melodias sublimes

Vento e chuva

Flores murchas

 

Espectros da noite

Vozes ocultas

A cortina se abre

Contemplo a lua

 

Me vejo sozinha

Em torno do abismo

O abismo da vida

Do tempo, da morte

 

As sombras dançantes

Bailam ao som

Dos ventos errantes

 

As portas da negra percepção

Abrem-se diante meus olhos

Olhos de inexpressiva dor

Olhos de fogo sem calor

 

Vela que ilumina meu semblante pálido

Que queima minha alma

Convida as sombras à dança

Dançando a nênia da noite

 

Ventos sussurram

Vozes inaudíveis

Gritos da tempestade

Tempos distantes

 

Doce veneno

Dos lábios suaves

Que sinto morrer

Me matam

Me fazem viver

 

Ilusões perdidas

Ocultas pelas cortinas negras da mente

Mar de sonhos

Que afogam pensamentos

 

Alma corroída

Destruída

Chora sozinha

Em sua prisão

Tudo em vão

E o vazio continua então

 

Fim dos dias em que se tenta viver

Começo dos dias em que se quer morrer

A vela se apaga

Escuridão total.

 

 

Laura Camarano – 28-08-2000

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Sozinha num silêncio distante

Como um anjo perdido

Num labirinto inconsciente

Num rio de sentidos

 

De repente a luz apaga

Numa alma inconstante

 

Fim do dia, da noite

O tempo é o mesmo

O espaço muda a cada fim

Reflexões de sentido abstrato

Tudo se esvai e perde

 

Nada.

 

Laura Camarano – 08-10-2001

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Vazio

Queda profunda

Abismo infinito

Solidão atroz

Vontade insana

Saudades da noite

 

Vozes que sussurram

Me chamam

Me levam à loucura

Vento que grita

Lua que chora

Sol que não brilha

 

Tempo que passa

Dores que ficam

O passado não volta

O futuro não chega

O presente mata

 

Olhos de gelo

De vidro

Vazios

Parados no tempo

Querendo ser vistos

 

Continuo caindo

Morte lenta

Ilusória

Sonhos perdidos.

 

Laura Camarano – 22-08-2000


Sentidos da Vida

Vidas de vidro

Quebram e ferem

Frias e inexpressíveis

Como o olhar que corta

Os olhos cegos que enganam

 

Vida sem sentido

Vivemos procurando

O que não sabemos nem se existe

Mistérios por toda parte

Portas da percepção trancadas

 

Revela-se o segredo

As portas se abrem

Traduzem-se as palavras

Liberta-se a alma

 

Magia oculta

Escuridão escondida

Luz esquecida

Sensações sentidas

 

Trilha infinita

Distância enterrada

Terra de gelo

O fim se inicia

 

Olhares de fogo

Me queimam a alma.

 

Laura Camarano – 29-09-2000

 


Vento frio

Brisa gélida toca a pele

Aquela mesma pele quente de outrora

O mesmo olhar que hoje perdido

Era o fogo e o brilho

 

Todos os sussurros

Expressam os mesmos desejos

E todos os desejos

Se escondem atrás de sorrisos

Sorrisos que escondem o pranto

 

A noite nunca é a mesma

E a melodia mais encantadora

É sempre a mais fatal

Da mais bela máscara

A mais cruel face

 

Sempre e nunca

As sombras dançam

No mesmo ritmo insano

São nossas almas, presas

Como a noite

 

E a noite cai

Intensa

Mas aqui dentro de mim

Ela é muito mais negra

Do que lá fora.

 

 

 

Laura Camarano – 21-11-2001

 

 

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Noite Calada

Sombras vermelhas na floresta onde o sol adormece

Sopros frios anunciam a noite

Cai o manto negro matando o último fio de luz

 

Chega a rainha da escuridão

Sufocando a clareza de todos os olhos

Cantando silenciosas melodias que amedrontam os ouvidos

Das faces pálidas como a lua

 

De toda essa profunda noite

Se pode ouvir e sentir a doce voz do vento

e seu suave e arrepiante toque

 

Na noite negra e absoluta

Nossos sonhos vivem

Nossa imaginação nasce

Nossa alma se liberta

E toda a dor

Quase morre.

 

 

Laura Camarano – 11-12-2001

 


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